[75] Só Divagações
Já faz um tempo desde o último texto e como eu disse nele, passei (ainda estou passando) por uma fase de escassez de palavras. No entanto, a mente trabalha a centenas de quilômetros por hora. Outra coisa que falei na última news foi sobre o caderno da vez. A capa A5 chegou, mas não consigo usá-la. Acho que é muito espaço para mim. Por outro lado, sigo usando outro caderno A5 dedicado ao mestrado. É um caderno feito por mim, de capa flexível e folhas brancas. Sinto um prazer ao vê-lo cada dia mais preenchido.
Como pode, né?
A diferença entre o A5 dedicado e o A5 dedicado ao mestrado é a folha. Um é marfim e outro branca. O do diário ficou um pouco menor na altura porque estava me baseando no caderno de uma marca quando fiz ele. Então, talvez seja isso. O tamanho do caderno está afetando o uso. E eu sei que isso acontece. Já falei em outros textos que uma série de fatores impactam na experiência de escrita. Não existe o caderno/papel perfeito nem a caneta perfeita. Para que a experiência seja boa e se sinta bem ao escrever é preciso uma combinação entre o papel e a caneta (tinta, tipo da caneta), tamanho do caderno/papel, gramatura, cor da folha e o tipo de miolo (pautado, pontilhado, quadriculado e liso).
Com tudo isso, o que tenho feito é apenas registrar o cotidiano. Não tenho escrito sobre questões íntimas. O desejo de escrever está aqui, mas não consigo externalizar. E tem tanta coisa que eu queria registrar para não perder...
Uma das reflexões que fiz no último texto e que quero retomar neste é a virada de chave sobre a agenda. A gente acha que ela precisa estar cheia, o que mostraria um dia “produtivo”. Não estamos habituados a deixar espaços vazios, a folha em branco, seja no Word, no Google docs ou no caderno físico, incomoda. Eu já consegui me libertar dessa crença. O espaço em branco já não me incomoda. Ele apenas indica que algo aconteceu, mas não foi registrado. O silêncio também fala.
No último domingo, dia das mães, minha filha me levou para assistir O diabo veste Prada 2. Confesso que não gosto desse movimento da indústria fílmica. Tinha receio de que fossem estragar o imaginário que construí sobre o primeiro filme. Ainda bem que foi um receio infundado. O 2º não gerou o mesmo sentimento que o primeiro, mas, pelo menos, não estragaram tudo. Em algum texto comentei sobre o sonho de ser jornalista. E filmes que trazem personagens jornalistas me cativam de cara. Em O diabo veste Prada, é o personagem da Andy que me cativa. Contudo, eu adoro a Meryl Streep.
Lembro de uma das vezes em que assisti O 1º filme com minha filha e comentei com ela que as experiências que tive como trabalhadora assalariada é muito próximo de como foi representado no filme. Já tive que resolver problemas de hospedagem e passagem de um chefe dentro de um horário que não era possível. Me identifiquei com a Andy por isso, também.
Comecei a achar que não tinha mais nada para escrever até que ao acessar minha galeria de fotos para selecionar alguma para colocar neste post, lembrei de mais assuntos sobre os quais eu gostaria de escrever (ideia para outro post: como escrevo os textos da news).
No dia 1º de maio foi aniversário de morte de Ayrton Senna. Vi um post que meu filho compartilhou e pensei: “Ué, mas ele nem estava vivo quando o Senna morreu...”. Depois de ver mais uns 03 conteúdos sobre isso, decidi ler a legenda de um deles e foi aí que fiz a associação. No entanto, isso me levou a outra associação. Naquela época, eu ainda acompanhava a Fórmula 1. Me perdoe, mas eu torcia para Michael Schumacher depois, para a Ferrari. Com as mudanças feitas ao longo do tempo, algumas a partir da morte do Senna e a aposentadoria de Schumacher, deixei de acompanhar. Mas a outra conexão é mais íntima.
Eu cresci com pais adotivos que eram parentes de meu pai (versão simplificada da história) e, neste dia, dia 1º de maio de 1994, eu assistia à corrida e lembrei que minha avó paterna e um tio do qual não lembro a cara, estavam nos visitando. E quando percebi que os posts eram sobre a morte do Senna, automaticamente, lembrei dessa visita da qual não me lembrava.
Mandei mensagem para um primo e perguntei se ele tinha fotos de nossos avós. Ele me enviou as que tinha. Juntei com mais algumas que eu tinha garimpado na casa onde cresci, onde moram minha irmã, sobrinho, cunhado e mãe. Pretendo fazer um álbum para registrar o que eu vou descobrindo sobre meus antepassados e deixar isso para meu filhos (não que eles façam questão, no momento, assim como eu não fazia na idade deles).
Comecei a ler “Pão dos Anjos” de Patti Smith e na parte inicial do livro ela conta que a mãe escrevia um livro/ diário sobre ela. Eu já vi muitos estadunidenses fazendo isso no Instagram. É algo que eu gostaria de ter feito para os meus filhos, mas naquela época eu não pensava como hoje.
“Nas páginas de Meus primeiros sete anos, o livro de bebê cor-de-rosa imenso e desbotado, repleto de listas de doenças, aniversários e anotações sobre meu desenvolvimento, minha mãe escreveu um poema intitulado “Patti”.”
Não sei porquê, não escrevi, na última news, sobre a Bienal do livro de Salvador que aconteceu de 15 a 21 de abril. Eu estive na Bienal de 2022 e não consegui ficar lá por mais que 30 min. Não pretendia ir este ano, até que a Jeniffer Geraldine (ela tem newsletter e blog. Vale a pena conferir e acompanhar), sugeriu que nos encontrássemos lá. Estar com uma amiga que gosta de livros, cadernos e nerdices faz total diferença (em 2022 fui com meu marido que não gosta de nada desse universo). Foi um dia muito bom para mim, coisa rara, viu?! Nos garimpos que fizemos, vi alguns (poucos) livros interessantes, para mim. Saí apenas com o Retrato desnatural de Evando Nascimento.
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